Desvendando o Enigma da Intenção de Compra no Mercado Imobiliário Brasileiro: Uma Análise Expert em 2025
Como profissional com mais de uma década de imersão e atuação direta no mercado imobiliário brasileiro, poucas revelações recentes capturaram minha atenção e a do setor com a intensidade dos dados do Raio-X FipeZap do segundo trimestre de 2025. O cenário é, no mínimo, intrigante, e merece uma análise aprofundada que transcenda os números para tocar nas veias pulsantes da economia e da psicologia do consumidor. A pesquisa aponta um dado alarmante: apenas 33% dos respondentes manifestam a intenção de compra de imóveis nos próximos três meses. Esse é o patamar mais baixo desde 2019, um sinal inequívoco de que algo fundamental mudou na dinâmica de oferta e demanda.
Em minha experiência, essa queda na intenção de compra de imóveis não reflete uma perda de desejo inerente à propriedade — que segue sendo um dos pilares do sonho brasileiro e um porto seguro para acumulação de patrimônio. Pelo contrário, ela ecoa uma profunda desconexão entre o anseio e a capacidade de realizá-lo. O mercado imobiliário brasileiro encontra-se em uma encruzilhada complexa, travado entre preços que desafiam a lógica da renda, um crédito imobiliário que se tornou proibitivo e custos de construção que escalam sem trégua. Essa combinação forma uma barreira quase intransponível para uma parcela significativa da população.
A Transformação Silenciosa: Novos vs. Usados e Suas Implicações

Um dos fenômenos mais marcantes que observamos nos últimos anos, e que se solidifica em 2025, é a inversão drástica na preferência por tipos de imóveis. Em 2015, imóveis novos representavam mais da metade das compras, com 51%. Hoje, essa fatia despencou para míseros 29%, cedendo espaço ao mercado de usados, que agora domina com impressionantes 71%. Essa não é uma moda passageira, tampouco uma simples flutuação de mercado. É uma mudança estrutural, um reflexo direto da realidade econômica.
O imóvel novo, antes o objeto de desejo por excelência, carrega hoje o fardo de duas âncoras pesadas. A primeira é o custo de produção elevado. Materiais, mão de obra, impostos e licenciamentos encarecem cada metro quadrado, impactando diretamente o preço final. A segunda, e talvez mais decisiva, é o financiamento imobiliário. Com as taxas de juros em patamares desfavoráveis, a aquisição de um imóvel novo, que por natureza já possui um ticket médio superior, se torna inviável para muitos.
Minha vivência no setor me permite afirmar que essa migração para imóveis usados é uma resposta pragmática dos consumidores. Eles buscam alternativas mais acessíveis, muitas vezes aceitando imóveis com alguma necessidade de reforma ou adaptação, em troca de um valor de entrada e parcelas de financiamento que se encaixem em seu orçamento. Isso reconfigura as estratégias de marketing e vendas das incorporadoras, que precisam repensar o valor agregado de seus produtos e as modalidades de financiamento. Para quem busca oportunidades de investimento imobiliário, o segmento de usados com potencial de valorização pós-reforma tem se mostrado atraente.
A Interdependência Crucial: Vasos Comunicantes no Setor Imobiliário
É fundamental entender que os segmentos de imóveis novos e usados não operam em silos isolados. Pelo contrário, eles funcionam como vasos comunicantes, uma metáfora que explica perfeitamente a dinâmica de pressões e equilíbrios. Quando o mercado de imóveis novos reduz seu ritmo de valorização ou aumenta a oferta devido a estoques maiores, parte da demanda que estava represada no segmento de usados migra de volta. Isso, em teoria, ajudaria a aliviar a pressão sobre os preços dos usados e a conter a valorização geral.
No entanto, o cenário atual é o oposto. Com os imóveis novos cada vez mais caros — impulsionados pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) e pelo crédito imobiliário oneroso — a procura se desloca maciçamente para os usados. Essa superdemanda, mesmo que o ritmo de valorização dos usados seja menor, acaba por acelerar seus preços por reflexo. É um ciclo vicioso: o encarecimento do novo acaba por empurrar para cima os preços do usado, mantendo toda a cadeia do mercado imobiliário brasileiro sob constante pressão. Essa interconexão complexa é um ponto vital para qualquer análise de viabilidade imobiliária ou estratégia de gestão de ativos imobiliários.
A Percepção de Preço: Um Obstáculo Crônico para a Intenção de Compra de Imóveis
A percepção de que os imóveis estão “caros” não é novidade no Brasil; ela é quase um elemento estrutural do nosso mercado imobiliário. A pesquisa FipeZap revela que 78% dos entrevistados classificam os imóveis como “altos ou muito altos”, contra meros 15% que os consideram razoáveis. Essa sensação não desapareceu, mesmo em momentos de crédito mais barato ou de menor valorização.
Por que essa percepção persiste? Minha visão como especialista é que o mercado imobiliário brasileiro convive, há pelo menos uma década, com um descompasso crônico entre o aumento dos custos e a estagnação da renda média. Os salários não acompanham o ritmo de valorização dos imóveis, seja pela inflação da construção, seja pela especulação. Com isso, o preço de equilíbrio, aquele que seria percebido como justo e acessível pela maioria, parece nunca ser alcançado.
Essa desconexão cria um ambiente de frustração e adia indefinidamente a intenção de compra de imóveis. Para as incorporadoras e construtoras, isso se traduz em um desafio monumental na precificação e na busca por soluções que tornem seus produtos mais competitivos sem comprometer a margem. A avaliação de imóveis se torna ainda mais crítica, pois o valor de mercado precisa dialogar com a capacidade de pagamento do comprador, e não apenas com os custos de produção.
Selic: O Freio de Mão do Crédito Imobiliário

Desde setembro de 2024, assistimos a um novo ciclo de elevação da taxa Selic pelo Banco Central, um movimento que teve um impacto direto e brutal no financiamento imobiliário. Cada ponto percentual de alta da Selic se reflete, de forma exponencial, nas parcelas de um financiamento de 20 ou 30 anos. A matemática é implacável: o aumento dos juros reduz drasticamente o poder de compra das famílias, forçando-as a duas opções desfavoráveis: reduzir o “ticket médio” do imóvel que pretendem adquirir ou, na maioria dos casos, simplesmente desistir da compra.
Não é coincidência que a intenção de compra de imóveis tenha afundado em 2025. O crédito imobiliário, que é a espinha dorsal do mercado imobiliário brasileiro, está sob forte pressão. O custo do dinheiro ficou proibitivo para a média do consumidor, e as exigências para aprovação de crédito se tornaram mais rigorosas. Bancos, por sua vez, repassam o risco e o custo da captação de recursos para o mutuário, tornando o sonho da casa própria um luxo inacessível para muitos.
Para investidores no desenvolvimento imobiliário, o impacto da Selic é duplo: encarece o financiamento para o comprador final e aumenta o custo de capital para os projetos, apertando as margens de lucro e exigindo um planejamento financeiro ainda mais robusto. A busca por melhores investimentos imobiliários nesse cenário leva muitos a considerar alternativas como os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), que oferecem liquidez e diversificação sem a necessidade de grande capital inicial para compra de um ativo físico.
INCC: O Custo Oculto da Oferta no Mercado Imobiliário Brasileiro
Se a Selic atua como um freio na demanda ao encarecer o financiamento, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) aperta pelo lado da oferta, tornando o processo de construção cada vez mais oneroso. Em julho de 2025, o índice acumulou 7,43% em 12 meses, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2024 (4,42%). Essa elevação contínua nos custos de insumos (cimento, aço, combustíveis, etc.) e mão de obra tem um efeito cascata.
Um imóvel novo torna-se significativamente mais caro para ser construído e, consequentemente, mais caro para ser vendido. É a “tesoura perfeita”: caro para produzir, caro para financiar. Essa combinação sufoca a capacidade de novos lançamentos e mantém a pressão sobre os preços dos imóveis existentes. Para as incorporadoras, o desafio é hercúleo: como absorver esses aumentos sem repassá-los integralmente ao consumidor, já fragilizado pelo alto custo do crédito? Muitas vezes, a única saída é a redução de margens ou o adiamento de projetos.
A dinâmica do INCC ressalta a importância de uma consultoria imobiliária especializada para quem atua no setor, seja para otimizar custos, seja para identificar nichos de mercado menos afetados por essa inflação específica. O preço por metro quadrado construído é uma métrica crucial, mas precisa ser constantemente reavaliada frente a esses indicadores macroeconômicos.
O Refúgio do Aluguel: A Válvula de Escape do Mercado
Diante desse impasse estrutural, o mercado de aluguéis emergiu como a principal válvula de escape para as famílias brasileiras. Quem não consegue comprar — seja porque o imóvel usado encareceu, seja porque o novo se tornou inalcançável devido ao financiamento de alto valor e às altas taxas de juros — opta por permanecer no aluguel. Essa demanda reprimida por compra, que não consegue se materializar, acaba impulsionando o mercado locatício.
O que observamos é uma demanda latente por propriedade que se vê forçada a migrar para o aluguel, pressionando os valores de locação em muitas capitais e grandes centros urbanos. Para o setor imobiliário, essa migração tem implicações complexas. Por um lado, mostra a resiliência da necessidade de moradia; por outro, indica uma estagnação no ciclo de aquisição, que é o motor primário do crescimento e da movimentação de capital no mercado.
Para investidores, esse cenário pode apresentar oportunidades de investimento imobiliário em ativos para locação, especialmente aqueles que oferecem boa rentabilidade e baixa vacância. A gestão profissional de imóveis para aluguel, aliada a uma análise precisa do mercado local, torna-se um diferencial competitivo.
A Equação Sem Solução Fácil: Desafios e Perspectivas para 2025 e Além
O Raio-X FipeZap de 2025, em minha leitura como expert do setor, vai muito além de apresentar números. Ele revela a armadilha estrutural em que o mercado imobiliário brasileiro se encontra. A percepção de preço elevado não é meramente psicológica; ela reflete uma realidade inquestionável de custos crescentes de produção e juros sufocantes no financiamento. Enquanto essa “tesoura” entre custos e capacidade de pagamento não se desfizer, o mercado continuará travado, com famílias adiando o sonho da casa própria e investidores migrando para nichos de renda ou aguardando momentos mais favoráveis.
É crucial que o setor, em conjunto com as autoridades econômicas, reflita sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes que visem reduzir os custos de construção, desburocratizar o licenciamento e, fundamentalmente, promover um ambiente macroeconômico que permita a redução sustentável das taxas de juros. Além disso, a inovação no desenvolvimento de produtos, como imóveis mais compactos, modelos de moradia compartilhada e soluções de financiamento mais flexíveis, será vital para destravar a intenção de compra de imóveis.
O futuro do mercado imobiliário brasileiro em 2025 e nos anos subsequentes dependerá da nossa capacidade de inovar e de nos adaptar a essas novas realidades. A busca por melhores investimentos imobiliários exigirá uma análise mais sofisticada e a valorização da expertise para navegar em águas tão turbulentas.
Apesar dos desafios, é importante ressaltar que o Brasil possui um déficit habitacional significativo e uma população jovem que eventualmente ingressará no mercado consumidor. A demanda latente por moradia permanece robusta. O que precisamos é encontrar o caminho para transformar essa demanda em capacidade de compra real, com um financiamento imobiliário acessível e custos de produção controlados.
O cenário atual exige uma visão estratégica, uma análise criteriosa e uma capacidade de adaptação sem precedentes. Para proprietários, compradores, investidores e desenvolvedores imobiliários, a informação e a consultoria especializada são mais valiosas do que nunca. É tempo de reavaliar estratégias, otimizar portfólios e identificar as verdadeiras oportunidades de investimento imobiliário que surgem em meio à complexidade.
Se você está buscando compreender melhor as nuances do atual mercado imobiliário brasileiro ou necessita de uma consultoria imobiliária especializada para navegar neste cenário desafiador, seja para comprar, vender ou investir, convido você a entrar em contato. Minha equipe e eu estamos prontos para oferecer a expertise necessária e as ferramentas estratégicas para que suas decisões sejam embasadas e bem-sucedidas. Vamos juntos desvendar as melhores soluções para seus objetivos imobiliários.

